domingo, 9 de novembro de 2008

Atol de Bikini - Refletir...

Essa ilha é a localizada no extremo noroeste do Atol e é a maior das ilhas deste, sendo a mais conhecida e importante ilha. A Ilha Bikini é conhecida por dois motivos: foi alvo, junto com o resto do Atol, dos testes nucleares norte-americanos e porque a roupa de banho biquini foi batizada com o nome da ilha (ou, possivelmente, do atol inteiro).
Entre 1946 e 1958, 23 dispositivos nucleares foram detonados no Atol do Bikini. Os habitantes Micronésios, que eram cerca de 200 antes de os Estados Unidos os realocarem após a II Guerra Mundial, comiam peixe, frutos do mar, bananas e cocos. Em 1968 os Estados Unidos declararam Bikini uma terra habitável e começaram a trazer os bikinianos de volta para casa no começo dos anos 70.
Em 1978, no entanto, os habitantes foram removidos novamente quando o estrôncio 90 em seus corpos atingiu níveis perigosos. Eles processaram os Estados Unidos e foram indenizados em $100 milhões. A operação de limpeza retiraria uma cobertura de 16 polegadas do solo da ilha principal de Bikini, gerando um milhão de pés cúbicos de solo radioativo que não poderia ser descartado, a um custo que excede muito a indenização.
Cinqüenta anos depois que as bombas atômicas retumbaram sobre o Atol de Biquíni pulverizando os seus recifes de coral a lagoa volta a exibir uma exuberante comunidade de corais. Cientistas mergulhando na cratera Bravo, de dois kilometros de largura formada em 1954 por uma explosão 1,000 vezes mais potente que a bomba de Hiroshima, no Japão, encontraram um habitat de corais em formato de arvores com 30 centímetros de espessura. O estudo mostra que os recifes de coral podem se recuperar de danos profundos—quando deixados em paz pelos humanos. As Ilhas Marshall, no oceano Pacífico Central, hospedaram 23 testes nucleares dos Estados Unidos entre os anos 40 e 50. O atual estudo, publicado na edição de Março do Boletim de Poluição Marinha, é o primeiro a examinar a diversidade de corais em Biquíni desde 1954, antes da bomba Bravo vaporizar três ilhas deixando uma cratera com 73-metros de profundidade.
Os cientistas descobriram que aproximadamente 70 por cento das espécies pré- existentes do atol repovoaram a lagoa. "É uma recuperação brilhante no Atol de Biquíni," disse a bióloga Zoe Richards, pós-graduanda na Universidade James Cook University na Austrália e uma das autoras do estudo. Porém, a equipe não encontrou vestígios de 28 outros delicados corais que habitavam Biquíni. Quando inicialmente mergulhou na água para coletar amostras em 2002, Richards não tinha certeza do que iria encontrar—uma paisagem lunar talvez, ou grotescas criaturas mutantes. Embora tenha encontrado algumas áreas estéreis, outras eram povoadas por massas de corais aparentemente saudáveis nas cores amarelo, marrom e vermelho. Ela trouxe as amostras de volta para a Austrália para identificação, um processo demorado, e comparou as espécies atuais com as do levantamento de 1954.

Os nativos de Biquíni evacuaram o atol em 1946 para permitir os testes nucleares. Acima do nível do mar a terra ainda evidencia restos espalhados de concreto dos abrigos e pontes construídos pelos militares. Embora visitar o atol não apresente ameaça imediata à saúde, o solo está contaminado. As plantas absorvem o césio-137 e outros isótopos perigosos; o atol está espalhado de cocos radioativos, e qualquer produção de Biquíni é inadequada para o consumo. Os povos de Biquíni, agora espalhados pelas ilhas Marshall esperam poder descontaminar o solo e eventualmente poder retornar a sua terra natal. Richards comparou o impacto da bomba Bravo a 50 furacões atingindo o atol ao mesmo tempo. A água ferveu levando as temperaturas a 55, 000 graus Centigrados (100,000 graus Fahrenheit), pedaços de coral atingiam embarcações militares na lagoa lançando ondas de 30 metros de altura (100 pés) para fora. A explosão lançou milhões de toneladas de areia que barraram a luz do sol e sufocaram os corais remanescentes quando se depositaram no fundo mar.

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